quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Marca Roscofe

Farto das publicações de alta qualidade que este blogue tem tido ultimamente, decidi publicar algo de má qualidade, mais precisamente um filme. O seu nome é Blacula: the Black Dracula, o ano é 1972 e é um forte concorrente aos Roscofe Awards.





Nos anos 70, nos EUA, com o advento da igualdade de direitos entre brancos e negros, surgiu um género de filmes chamados blaxploitation movies. Este género caracterizava-se por ser dedicado a uma audiência maioritariamente afro-americana. Basicamente pegaram em histórias de outros filmes e adaptaram-nas utilizando actores afro-americanos. Outros exemplos são Blackenstein: the Black Frankenstein (1973) e Abar, the First Black Superman (1977).


Comentário:
Acho que eles levaram aquilo da igualdade de direitos muito à letra.


Ivocatii

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A galinha

Eis as respostas que alguns filósofos gregos dariam à seguinte pergunta:

Porque é que a galinha atravessou a estrada?


Tales de Mileto
A galinha é feita de água e a água sempre está em movimento. Além disso, a galinha é um deus e os deuses movem-se livremente pelo mundo.

Anaximandro de Mileto
A galinha atravessou a estrada para se diferenciar do resto do Universo.

Heraclito de Éfeso (alguém que se suicidou enterrando-se em estrume)
Para haver grandes tem de haver pequenos. Para haver ricos tem de haver pobres. Logo, para que a galinha possa não atravessar a estrada, ela tem de a atravessar. O Universo rege-se através da eterna luta entre os contrários. Logo, a galinha tem de atravessar e não atravessar a estrada.

Parménides de Eleia
Não existe contrários. Existem as coisas e a ausência delas. Existe o «atravessar a estrada» e a ausência de «atravessar a estrada». No caso da galinha verificou-se o «atravessar a estrada».

Empédocles de Agrigento
O que atravessou a estrada não foi a galinha mas sim o eflúvio sensível à nossa visão que emana do corpo da galinha.

Zenão de Eleia
Para a galinha atravessar a estrada teria de percorrer um número infinito de pontos numa quantidade finita de tempo. Ora, é impossível percorrer infinito espaço num tempo finito. Logo, a galinha não atravessou a estrada e todo o movimento é ilusório. A galinha está e sempre estará no mesmo sítio.

Pitágoras de Samos (sim, o do teorema)
A galinha atravessou a estrada para purificar a sua alma através do esforço.

Demócrito de Abdera (um atomista)
A galinha atravessou porque cada uma das almas indivisíveis (átomos) que constituem o seu corpo se apaixonou pelo outro lado da estrada.

Sócrates (um irritador profissional)
Se eu nem sequer sei o que é «ser galinha» como queres que saiba as qualidades e capacidades da galinha?

Platão
O que atravessou a estrada foi a aparência da galinha. A essência da galinha, isto é, a «galinha em si» sempre esteve imóvel no mundo superior das Ideias.

Aristóteles (pessoa que passou o resto da vida a dizer mal do Platão)
O Platão está errado. A essência da galinha não está no mundo superior das Ideias mas sim aqui em baixo no nosso mundo. A «galinha em si», isto é, a galinha universal atravessa a estrada juntamente com a galinha particular.

Pessoa sensata
Não sei.



Ivocatii

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cafeína

Se alguma vez tiverem curiosidade de saber o que é ter 70 anos antes de lá chegarem sugiro que tentem deixar de beber café durante 7 dias.

Nos últimos 5 dias andei mal humorada, a acreditar que já tinha vivido melhores dias, com dores de cabeça, sem energia, e a adormecer assim que me sentava mais de 10 segundos seguidos.

Como qualquer estudante que se prese eu já tinha olheiras, mas o início desta semana não foi fácil.
O meu corpo sentia a falta da cafeína. Adormecia-me e sentia os copos do Starbuks a dançar à minha volta.

Eu sentia-me um jogador do Sporting, parado no campo do futebol, a ver os outros jogadores a mexerem-se à velocidade normal dos seres humanos.

A falta de café acrescentou-me anos ao BI. Tirou-me o gasóleo e pôs-me a andar em ponto morto para não ir a baixo.

Eu aguentei 5 dias, quantos é que tu aguentas?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Como parecer um filósofo em 9 lições

Para todos aqueles que querem mas não conseguem ser filósofos, aqui está uma pequena sugestão de como podem cumprir parte do vosso objectivo.


"A filosofia não consiste em saber e não é a verdade que a inspira, mas sim categorias como Interessante, Notável ou Importante que decidem sobre o seu sucesso ou fracasso."
Gilles Deleuze in O que é a Filosofia?


1ª Lição – Indumentária
Usar uma camisola de malha daquelas que picam e que, como forma de protesto, não é lavada desde que Portugal entrou na C.E.E.. Convém estar amarrotada e ligeiramente suja. No Inverno a gabardine é opcional.

2ª Lição – Utensílios I
Usar um cachimbo, o qual deve também ser usado para apontar.

3ª Lição – Posição
Nunca se sente de costas direitas. Incline-se na cadeira para dar um ar descontraído e cruze a perna.

4ª Lição – Utensílios II
Faça-se sempre acompanhar dum bloco de notas ou de uma folha de papel e de uma caneta. Use-os para escrever enquanto se encontra a cumprir a lição anterior.

5ª Lição – Habitat e Bebida
Procure ir para cafés ou bares rascas. Beba café ou chá durante a tarde. À noite evite beber coisas como sumo ou água. Em vez disso, beba coisas saudáveis como absinto, aguardente ou whisky.

6ª Lição – Alimentação
Não tenha cuidado com a alimentação. Afinal de contas, isso da alimentação saudável é coisa de meros mortais. Você no seu estado de transcendência já não precisa de se preocupar.

7ª Lição – Disposição e Comunicação
Tenha um olhar deprimido e nunca concorde inteiramente com nada do que lhe dizem. Não dê respostas concretas e procure confundir ou outros com respostas ambíguas.

8ª Lição – Actividade
Não tenha medo de escrever. Escreva muito, escreva até mais não. Escreva sobre tudo. Lembre-se: o filósofo nunca mente, apenas apresenta verdades alternativas.

9ª Lição – Referências

Em conversas aproveite sempre para citar nomes famosos da filosofia tais como Hume, Locke, Descartes, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, etc..


Ivocatii

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Desanotadas #1

Anatomia

Custa a acreditar a quantidade de cálculos e estudos que o Leonardo Da Vinci teve de fazer para realizar o seu famoso desenho do "homenzinho de braços abertos dentro de uma roda de hamster" - Vulgo Homem de Vitrúvio.

Alguns chamam-lhe um cânone da Divina Proporção.

Só deixar escrito que a Proporção Áurea e a harmonia das formas é, na minha opinião, a maior das tretas.

Por favor, Srs. Artistas, dediquem-se à pesca.

Cats

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Andar, simplesmente andar

(Também publicado em http://oramonacara.wordpress.com/2011/01/20/andar-simplesmente-andar/).

Andar, o simples acto de andar. As pernas que usamos para impulsionar o nosso corpo representam a propulsão que fazemos do Passado para o Presente. O nosso pé assenta e pressiona as memórias – as memórias de ter estado – nas quais nos apoiamos para ter consistência enquanto seres presentes. As mãos que arremessamos para a frente representam a projecção que fazemos do Presente para o Futuro sob a forma de expectativa – a expectativa de vir a estar. Ao pressionar com o pé, digo para mim mesmo “Eu estive ali”, ao lançar a minha mão, digo para mim mesmo “Eu estarei ali”. Ao mesmo tempo que me propulsiono no Passado, estou a projectar-me no Futuro. Se o Passado e o Futuro têm de coexistir enquanto memória e expectativa, propulsão e projecção, então o que é o Tempo? A meu ver há duas respostas possíveis:

O Tempo é exclusivamente o Presente, com o Passado existindo no Presente sob o formato de memória e com o Futuro também existindo no Presente enquanto expectativa. Assim sendo, a existência necessita que três Seres existam simultaneamente e pacificamente: o Ser que lembra, o Ser que existe e o Ser que expecta. Desta forma, aquilo que existe no Presente existe igualmente no Passado e no Futuro. Cada um de nós é a reunião desses três Seres: o que esteve, o que está e o que estará.

O Tempo é o Passado e o Futuro. O Presente não é mais do que o conjunto destes dois tempos. O Presente é a constante guerra entre a memória e a expectativa, entre o Passado e o Futuro. Ao propulsionar-me luto para expectar, ao expectar luto para propulsionar-me. A existência é portanto bipartida – uma parte sua é concebida e realizada no Passado, a outra é concebida e realizada no Futuro. Nós somos, ao mesmo tempo, Passado e Futuro, memória e expectativa.


Ivocatii

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ninguém Disse Que Ia Ser Fácil

(Mas fogo! Bem que podiam facilitar um bocadinho)

Antes de mais desejo a todos um fantástico ano.
Que, na pior das hipóteses, 2011 seja exactamente igual a 2010 mas sem a visita do Papa e do Obahma, para cortarem a porcaria do trânsito todo.

E sabem que mais?
Espero sinceramente que neste novo ano, não tenham tudo aquilo que sempre desejaram, porque se tiverem vão ficar mimados e ninguém vos vai conseguir aturar assim.

Cá por mim, consegui cerca de metade daquilo a que me propuz (mas cheira-me que foi a metade mais útil).

Entrei no curso que queria. (mas agora estou a braços com a Oral de Anatomia, com a qual tenho pesadelos diários. Dou por mim a desejar que os dias tenham 25 horas para poder estudar um bocadinho mais.)

Tirei a carta! Por isso toca a ficar em casa, para vossa própria segurança porque o IMTT formou um Perigo Rodoviário.

Se ultrapassar esta fase prometo (e desta vez prometo cumprir a promessa) de voltar a escrever)

Um Bem Haja!

Cats

domingo, 14 de novembro de 2010

Cala a boca! (parte 1)

- Cala a boca!

- Porquê?

- Porque sim. Cala a boca!

- Oh vá lá, tu consegues melhor do que isso. Diz-me lá porque devo eu calar a boca. Não estou a gozar, diz-me mesmo! Não penses que excluo a hipótese de apresentares uma justificação convincente com a qual eu concorde. E se tal se verificar, penso que não seria de todo sensato eu não calar a boca. Diz lá então porque devo eu calar a boca.

- Porque tudo o que dizes está mal.

- E por “tudo o que dizes está mal” presumo que queiras dizer “tudo o que dizes é falso”. Estou correcto?

- Sim.

- Penso, meu caro, que um ouvinte ou leitor, caso isto venha a ser escrito, mais perspicaz já tenha aqui detectado algo de irregular. Mas vamos ignorar esta primeira contradição e concentrarmo-nos no assunto principal. Dizes, portanto, que tudo o que eu digo é falso?

- Sim, completamente.

- E por “tudo o que dizes” entende-se todas as declarações, afirmativas e negativas e todas as interrogações ou referes-te apenas às declarações, ou apenas às interrogações?

- Refiro-me a tudo o que dizes.

- Afirmas, portanto, que todas as minhas afirmações são falsas.

- Sim.

- E afirmas, também, que todas as minhas interrogações são falsas.

- Correcto.

- Pergunto-te então o seguinte: A frase “Como te chamas?” é uma interrogação?

- Sim, é óbvio que é.

- Então, se todas as minhas interrogações são falsas, como anteriormente afirmaste, ao perguntar-te “Como te chamas?” estaria a dizer uma falsidade.

- Penso que… sim…

- Ponho-te então uma questão: Uma coisa dita é falsa quando nela foi dito algo que é falso. Concordas?

- Sim.

- E concordas também que algo falso é algo que é uma certeza falsa? Pois não pode ser falso aquilo que não é certo de o ser.

- Estás a dizer coisas óbvias.

- Então, voltando atrás, ao perguntar “Como te chamas?” estarei a dizer uma coisa falsa, isto é, uma certeza falsa.

- Sim.

- Coloco-te agora uma outra questão: Quando estás incerto acerca de algo e pretendes ficar certo acerca desse mesmo algo, o que fazes?

- Pergunto a quem saiba.

- E na tua pergunta mostras a tua incerteza?

- Pois claro.

- E concordas quando digo que uma pergunta é uma interrogação?

- Sim, claro! Começo a fartar-me de tantos rodeios.

- Tem calma, amigo! Então, se “Como te chamas?” é uma interrogação, terá forçosamente de ser também uma pergunta.

- Claro que tem de ser uma pergunta. Querias que fosse o quê?

- E uma certeza falsa não é uma certeza?

- Sim, embora falsa, é uma certeza.

- E nas perguntas não mostras incerteza?

- Mostro pois.

- Então primeiro afirmaste que “Como te chamas?” mostra uma certeza, falsa mas ainda assim uma certeza, e agora afirmas que “Como te chamas?” mostra uma incerteza. Ora, a meu ver, a mesma coisa não pode ser certa e incerta ao mesmo tempo. Que me dizes sobre isto?

- Realmente não sei que diga…

- Mas, como todas as coisas têm obrigatoriamente de ser ou certas ou incertas, temos de decidir se “Como te chamas?” e as interrogações de um modo geral são certezas ou incertezas. Em que ficamos nós então?

- Diz-me tu.

- Ora muito bem! Se usamos as interrogações para obter certezas é porque ainda não as temos no momento que fazemos a interrogação. Sendo nós obrigados a ter ou certezas ou incertezas, e não tendo certezas, penso que nas interrogações teremos forçosamente de ter apenas incertezas. Estás de acordo?

- Custou-me um pouco seguir o raciocínio mas julgo que sim, que estou de acordo.


(Continua...)


Ivocatii

domingo, 17 de outubro de 2010

A Génese da Estupidez

No outro dia, numa aula de Filosofia Antiga no auditório da faculdade, ouvi o nome de várias entidades da filosofia grega pré-sócratica (sei o que estão a pensar mas não, não vou fazer uma piada com isto!). Ouvi falar do nosso querido Tales, o sempre presente Pitágoras, o eterno Heraclito, o curioso Empédocles, entre outros. Prontamente a minha psiché começou a percorrer caminhos mais absurdos e uma questão me veio à mente:

Quem inventou a estupidez?

Como não sou grande fã do método empírico, resolvi eu mesmo dar resposta à questão.

Aqui vou contar a história do homem que inventou a estupidez, a mais básica forma de ofensa. Trata-se pois de Estupidócles de Parveia, fundador da escola estupidista, co-fundador da escola parvista e jardineiro de Platão. Foi também um líder militar grego durante as guerras Médicas (que não tinham nada a ver com médicos, chamavam-se “médicas” porque foram entre gregos e povos originários da Média) e o responsável pela derrota mais estúpida do exército grego. Ele próprio disse “Não vamos ganhar no campo de batalha, vamos sim, reservar o campo de batalha!”. E colocaram placas a dizer “Reservado” à volta do campo de batalha na esperança que os persas respeitassem a reserva e fossem embora. Os persas, que não eram muito fãs da burocracia grega, atacaram e dizimaram o exército grego que, confiando na reserva feita, estava em repouso.

Já no âmbito da vida política, Estupidócles decidiu introduzir um método revolucionário nas eleições democráticas gregas. Em vez de pedras dentro de vasos, os eleitores deitariam cubos de gelo dentro de fornos. Estupidócles justificou este método dizendo “Andam sempre a falar do voto secreto mas voto mais secreto do que este não há!”. Viveu também em Esparta onde foi conselheiro do rei espartano. Foi Estupidócles que disse a Leónidas que enfrentar o exército persa com um bando de 300 homens era algo sensato e, passo a citar, “de onde só podem vir bons resultados”.

Nos últimos anos da sua vida, já no exílio (porque será?...), viajou por vários locais, em especial o Egipto (o Toys’r’us dos filósofos gregos). Veio a falecer ao tentar provar que se morria ao cair do topo do Farol de Alexandria. Ironicamente, foi a única teoria proposta por si que ficou comprovada com êxito.


Ivocatii

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Caixa Mágica

Imagina a seguinte situação:

Alguém chega ao pé de ti e diz-te que tem em casa uma Caixa Mágica, da qual tu nunca viste indícios de que ele a tivesse. Afirma também que essa Caixa Mágica tem algo dentro que ele nunca viu nem sabe que aparência tem. Continua, dizendo que o algo que está dentro daquela Caixa Mágica é a razão de tudo existir. Acrescenta que eu sou obrigado a acreditar que ele tem a Caixa Mágica e que dentro há algo, embora não me deixe entrar na sua casa para a ver. Diz ainda que o algo que está dentro da Caixa Mágica impôs regras e se eu não as cumprir ou não acreditar que ele tem a Caixa Mágica vou sofrer muito e serei torturado das formas mais horríveis que podem ser concebidas. E para me provar que está a dizer a verdade mostra-me um livro de autor e origem desconhecidos que fala sobre a Caixa Mágica. Para finalizar, afirma que a Caixa Mágica sempre existiu e sempre existirá porque sim e apenas porque sim.

Dada esta situação absurda (e de certa forma familiar…) como reagirias?


Ivocatii